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CPI confronta Osmar Terra sobre existência de gabinete paralelo

Por Jr Blitz 22/06/2021 às 22:48:10
O deputado é apontado como integrante do chamado gabinete paralelo, que teria orientado o presidente Jair Bolsonaro com medidas negacionistas, CPI confronta Osmar Terra sobre existência de gabinete paralelo

Nesta terça-feira (22), a CPI ouviu depoimento do deputado Osmar Terra, que supostamente integra o chamado gabinete paralelo, que teria orientado o presidente Jair Bolsonaro com medidas negacionistas.

A sessão começou com uma homenagem às mais de 500 mil vítimas da Covid. A pedido do senador Rogério Carvalho, do PT, os senadores fizeram um minuto de silêncio. O relator da CPI, Renan Calheiros, do MDB, trocou a cor da placa que exibe diariamente com os números de mortos na pandemia.

O deputado federal Osmar Terra, do MDB, prestou depoimento como convidado, e não como testemunha - quando a pessoa é obrigada a falar a verdade. Ele é apontado como um dos líderes do chamado gabinete paralelo, que aconselharia o presidente Bolsonaro a adotar medidas contra o isolamento social, a favor do uso de medicamentos sem comprovação científica contra a Covid e a defesa da chamada imunidade de rebanho, a contaminação em massa da população.

Essas medidas negacionistas, segundo especialistas, dificultaram o enfrentamento da pandemia.

Diante da comissão, Osmar Terra reafirmou o discurso contra as comprovações científicas. Renan Calheiros chamou o deputado de negacionista e fez várias perguntas sobre a existência do gabinete paralelo.

A cúpula da CPI considera ter evidências suficientes para comprovar que o presidente foi aconselhado por um grupo de fora do Ministério da Saúde.

Renan exibiu um vídeo de setembro de 2020, de uma reunião no Palácio do Planalto, quando especialistas apresentaram opiniões contrárias às vacinas e favoráveis a medicamentos sem eficácia comprovada contra a Covid.

Osmar Terra estava ao lado do presidente Jair Bolsonaro e foi tratado como um líder do grupo. O deputado confirmou que dava conselhos ao presidente.

“Quando, de vez em quando, o presidente me pergunta alguma coisa ou eu acho que tenho que falar alguma coisa, eu falo”, disse.

Pressionado sobre a atuação do gabinete paralelo, Osmar Terra procurou minimizar o trabalho do grupo de conselheiros.

“Essa foi a única reunião de que eu participei, foi a única, a única. Transformar isso num gabinete secreto, que vaza vídeos e tal, isso é um absurdo. Não tem, não tem sentido isso, senador”, afirmou.

Apesar das negativas de Osmar Terra, registros da agenda oficial de Bolsonaro mostram que o deputado esteve mais de 20 vezes no Palácio do Planalto durante a pandemia. Em determinados momentos, as reuniões aconteceram mais de uma vez por mês.

Horas depois, a tropa de choque tentou reforçar os argumentos de que conselhos paralelos são normais em um governo.

Jorginho Mello (PL-SC): Conversar, pedir sugestões, filtrar é uma obrigação de cada... Não tem nada a ser recriminado ou condenado de qualquer gestor público, seja ele prefeito, governador, presidente. Ouvir as pessoas, senador Girão, é uma coisa muito salutar. Evita-se erro ao se aconselhar e, depois, tomar a posição que quiser tomar. Para isso que ele foi eleito, é para isso que ele tem o dever de ser um gestor, de cuidar da coisa pública.

Mas senadores de oposição rebateram, afirmando que nem Eduardo Pazuello, quando era ministro da Saúde, se reuniu tantas vezes com o presidente quanto Osmar Terra.

Humberto Costa: Foi mais que Pazuello, bem mais que Pazuello.

Randolfe Rodrigues: Foi mais que o ministro da Saúde. Foi mais que o ministro da Saúde.

Osmar: Mas é por questões políticas, inclusive independentes dessa questão aí, a questão da eleição da Câmara. Tem um monte de questões aí.

Desde o início do depoimento, Osmar Terra repetiu por diversas vezes o discurso do Palácio do Planalto de que o Supremo Tribunal Federal tirou das mãos do governo o poder de ação no combate à pandemia.

O deputado é contra o isolamento social, apesar das evidências científicas de que a medida deu certo em vários países.

O argumento do deputado também foi contestado pelo senador Humberto Costa, do PT. Ele lembrou que, na verdade, o STF decidiu que estados e municípios têm autonomia para definir medidas, mas que cabe ao governo federal coordenar as ações.

“Vossa Excelência é autor intelectual de boa parte dos problemas que nós estamos vivendo hoje no Brasil, porque influenciou aquele cidadão que está lá no Palácio do Planalto e no Palácio da Alvorada. Outra coisa, vamos acabar com essa discussão de que o STF proibiu o presidente de fazer o que devia fazer. Vossa Excelência é uma pessoa inteligente, lhe conheço há muito tempo. Não repita isso, porque Vossa Excelência sabe que não está dizendo o que de fato ocorreu. O que o Supremo decidiu é que o presidente da República não podia desmontar aquilo que os estados e municípios estavam fazendo concorrencialmente para enfrentar a pandemia. O que o presidente queria era passar por cima dos governos estaduais e das prefeituras para adotar a estratégia dele da imunidade de rebanho”, afirmou.

Fonte: G1

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