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Mortes por Covid-19 em janeiro de 2022 ultrapassam soma de outubro, novembro e dezembro de 2021, no Ceará

Por Jr Blitz 27/01/2022 às 18:08:20
O cenário se repete com relação à Fortaleza. Os dados são do IntegraSUS, plataforma da Secretaria da Saúde estadual. Mortes por Covid-19 em janeiro de 2022 ultrapassam acumulado de outubro, novembro e dezembro de 2021, no Ceará.

Camila Lima/SVM

A terceira onda da Covid-19 no Ceará tem impactado no aumento de casos e mortes pela doença. Em janeiro de 2022, o estado registrou 240 mortes por Covid-19 até esta quinta-feira (26), enquanto o acumulado do último trimestre de 2021 fechou em 197 óbitos. Sozinho, janeiro deste ano supera outubro, novembro e dezembro de 2021 juntos.

Em Fortaleza, o cenário se expande, com o número de mortes em janeiro de 2022 na capital superando o acumulado de setembro, outubro, novembro e dezembro do ano passado. Conforme o Integrasus, este mês tem 109 óbitos, enquanto os quatro últimos meses do ano passado tiveram um total de 102 mortes.

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O g1 questionou às secretarias Municipal de Saúde de Fortaleza (SMS) e Estadual do Ceará (Sesa) sobre o impacto da mortalidade na capital durante a terceira onda de Covid-19, mas os órgãos não responderam até a publicação desta matéria.

A epidemiologista Caroline Florêncio explica que a circulação das síndromes virais possui o comportamento de aumentar durante o primeiro semestre dos anos. “A gente tem o período sazonal dos vírus respiratórios. Já é um estudo bem escrito, há muitos anos. No laboratório de biologia, foi feita uma análise do comportamento desses vírus ao longo de, pelo menos, 12 anos de acompanhamento”, informa a especialista.

“No primeiro semestre de todos os anos avaliados, há um aumento da atividade desses vírus, eles passam a circular de uma forma mais impactante. Algumas pessoas não sentem nada, em outras a doença é autolimitada (dura dois, três dias e fica boa), mas já tem aquelas pessoas que têm uma resposta exacerbada, inflamatória à presença do vírus no organismo e, infelizmente, vão a óbito”, explica a doutora em Saúde Coletiva, pela Universidade Federal do Ceará (UFC).

“A circulação é baixíssima no segundo semestre, quando está seco. Eles não gostam do clima quente, gostam do frio, quando está chovendo é que eles aparecem. A gente ainda não descobriu porque, ainda é uma interrogação. No mundo inteiro, ninguém sabe o porque acontecem os drifts (modificações) que causam as epidemias, porque gostam de circular no inverno, na chuva. É uma característica da natureza”, complementa Caroline.

Aumento de casos

No último trimestre de 2021, o Ceará registrou 17.623 confirmações de coronavírus. O número cresceu 274% em janeiro mesmo antes do mês acabar. Em menos de um mês, o estado contabilizou 66.050 casos de Covid-19, conforme o IntegraSUS.

Para a epidemiologista, esse crescimento também é fundamental quando se analisa os óbitos, pois ela informa que a quantidade de novos casos positivos também impacta de maneira significativa no número de mortes.

Ela informa ainda que outros vírus, além do Sars-Cov-2, começam a circular de maneira mais intensa durante o primeiro semestre, como influenza, adenovírus parainfluenza, o rinovírus e outros coronavírus que circulam no nosso meio. “A gente percebe uma predominância maior do Sars-Cov-2 porque é o vírus que mais se testa”, complementa a epidemiologista.

“A gente tem observado algumas pessoas com infecção dupla, de influenza e corona, mas a gente ainda não sabe o impacto desses dois ao mesmo tempo, porque eles utilizam rotas diferentes para entrar na célula, promover o quadro inflamatório na pessoa, etc”, destaca a doutora.

Importância da vacinação

Em Fortaleza, nenhuma criança teve reação adversa à vacina contra covid

O Ceará avança na vacinação contra Covid-19 da população, e iniciou a imunização de crianças entre 5 e 11 anos no último dia 15. Este esforço pela proteção imunobiológica de cada vez mais pessoas é uma questão que Carolina Florêncio aponta como freio para números ainda mais expressivos da pandemia no estado.

“As pessoas que não tomaram a vacina servem de experimento vivo. A gente percebe que a grande proporção das pessoas que estão internadas, que estão morrendo, não tomou a vacina”, disse a especialista, que faz parte do Departamento de Saúde Comunitária da UFC.

Ela cita a morte do ator Tarcísio Meira como um exemplo do questionamento sobre a vacina. Ele morreu de Covid-19 mesmo após tomar três doses do imunizante. “A vacina reduz a probabilidade de você morrer, ela não zera. As pessoas precisam compreender isso. É uma arsenal a mais, mas não anula”, reforça Caroline.

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Fonte: G1

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